terça-feira, 21 de junho de 2022

Entrada para o 1º Ciclo

 

Entrada para o 1º Ciclo  

A entrada de um filho para o 1º ciclo é um momento muito importante na vida da criança e dos pais. Decidir se um filho já está pronto para ingressar no 1º ano ou se deve aguardar mais um ano para desenvolver certas capacidades/competências não é uma tarefa fácil.

Os pais encaram esta mudança como uma transição do lúdico para o trabalho. “Agora é a sério”– Transmitem como se o período pré-escolar não fosse essencial para o amadurecimento da criança e o desenvolvimento das competências necessárias para prepará-los para este momento.

Partindo do panorama geral:  na maioria dos países, a criança entra na escola entre os 5 e os 7 anos. No entanto, uma criança com 5 anos tem características substancialmente diferentes de uma de 6, tal como uma de 6 tem de uma de 7.  Há crianças com 5 anos que aparentemente estão “aptas” para ingressar no 1º ano, mas muitos são os casos, em que os pais acabam por perceber que teria sido benéfico ter esperado mais um ano. A pressão escolar é muito grande e o tempo para brincar e  para dormir é mais reduzido.

Em alguns países, dando o exemplo dos EUA ou, países nórdicos como a Finlândia ou a Suécia, há cada vez mais pais com filhos de 5 anos que optam por aguardar mais um ano, pois a criança de 5 será das mais novas na turma, o que traz as suas consequências, enquanto que entrando com 6 ou até 7 anos faz com que esteja em pé de igualdade e seja respeitada pelas outras crianças e reconhecida pelos professores, como sendo mais velha e tendo outra responsabilidade.

Muitas vezes, a diferença de idades entre crianças que frequentam a mesma turma é de quase um ano.

Steve Biddulph, perito em educação e psicologia infantil, defende que os alunos mais novos não estão fisicamente, emocionalmente ou linguisticamente preparados. Muitas vezes não são suficientemente autónomos ou não têm maturidade para passar a esta fase. Refere ainda o facto de não terem as motricidades finas e motora desenvolvidas como os mais velhos, vindo apresentar-se como uma dificuldade acrescida no aprender a escrever, por exemplo.

Tais factos, vão refletir-se nos resultados ao longo do ano letivo. Um desempenho escolar esforçado, sobrecarregado e com "avaliações" medianas pode desenvolver características negativas na criança: a baixa autoestima, falta de confiança, frustração, desinteresse escolar, isolamento etc. refletindo-se na área emocional.

 A criança passa agora: de ser criança para ser um aluno.

Cada vez mais, o bom desempenho escolar dos filhos faz parte dos objetivos dos pais. Muito pais, acabam por elevar as expectativas e privilegiar o aluno em detrimento da criança. Se a criança é um bom aluno, muito bem. Se não é, está o caldo entornado. É-lhe exigido mais e melhor. É criada muita tensão à volta dos resultados escolares. Muitas vezes são-lhe atribuídas horas extras de trabalhos e atividades que não deixam tempo para descansar, muito menos para brincar. Todas estas sobrecargas físicas e emocionais podem levar a uma consequente diminuição do desempenho do aluno, e o aumento de uma baixa autoestima derivada do sentimento de falhanço/frustração perante os pais.

É essencial que:

·         os pais ajustem as suas expectativas em relação à escola,

·         e que deem tempo para que os filhos progridam.

Não nos podemos esquecer que as crianças absorvem todos os sentimentos e atitudes dos pais. Se os pais se apresentam stressados e ansiosos com a entrada no primeiro ano, também para elas esta transição será tensa e com uma adaptação difícil, vindo a condicionar os bons resultados.

Crianças Condicionais

Em Portugal, “A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico é obrigatória para as crianças que completem 6 anos de idade até 15 de setembro. As crianças que completem os 6 anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas (..)” [Despacho n.º 5048-B/2013]

Segundo a legislação portuguesa, “A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico é obrigatória para as crianças que completem 6 anos de idade até 15 de setembro. As crianças que completem os 6 anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas (..). Teoricamente, o que isto significa é que todos os alunos que façam anos depois de 15 de setembro são os chamados “condicionais”, o que quer dizer que só entram para a Escola Primária em situações de exceção. No entanto, com o passar dos anos a realidade mostra exatamente o contrário, ou seja, que todos os alunos que fazem anos até 31 de dezembro entram, salvo algumas exceções. E esta opção acaba por ser perversa, pois inverte o princípio que se encontra subjacente ao referido Despacho e também os estudos científicos que demonstram que é importante que as crianças não queimem etapas e que só avancem quando se encontram efetivamente preparadas para tal.

 Posto isto, importa perceber quais são os fatores que permitem perceber se a criança está preparada para ingressar na Escola Primária ou não. E eles são, basicamente, dois: a capacidade cognitiva e a maturidade.

Tipicamente, a maturidade escolar significa que durante a pré-escola a criança já atingiu um nível de desenvolvimento que permite a sua adaptação aos desafios da escolarização formal – que é capaz de aprender. E há aspetos sociais e emocionais do desenvolvimento da criança que constituem elementos importantes de sua maturidade escolar, assim como da sua aprendizagem e do grau de sucesso no futuro.

É muito subjetiva e, como tal, não existe nenhum método muito eficaz para a avaliar. Depende de muitos aspetos que não se conseguem quantificar, pelo que é uma área onde são os pais quem melhor pode tirar conclusões. Apesar de ser possível ter uma ideia geral, nenhum profissional de saúde consegue dar uma opinião muito fundamentada em relação à maturidade de uma criança. E devia ser exatamente este o principal discriminador para decidir se a criança avança ou não…

A maturidade é algo que não se aprende, pois é “biológica”. Precisa de tempo para se desenvolver e não se adquire por imitação. Os comportamentos podem-se imitar, mas a maturidade tem que ir surgindo. E quando não está presente, as dificuldades vão-se fazer notar. Por muitas capacidades que uma criança tenha, se não tiver maturidade para entender o que se lhe ensina e o que se lhe exige, os seus resultados vão sempre ficar aquém do que ela merece e é capaz. E esta questão pode fazer a diferença entre a positiva e a negativa, como é lógico, mas pode também fazer a diferença entre um aluno ser brilhante ou “apenas” muito bom.

Assim, vale muito a pena observar com dedicação/atenção a criança que ponderamos analisar se é a altura certa de a levar para a escola.

Existem outro aspeto que nos pode ajudar a perceber se chegou a hora da criança ingressar no 1º ano: Capacidade cognitiva (Psicologia)

É, sem dúvida, o mais fácil de avaliar. Atualmente existem uma série de testes que permitem quantificar o Quociente de Inteligência (QI) das crianças de forma bem objetiva, pelo que não é difícil perceber se a criança tem “capacidade” ou não para acompanhar as exigências. Para além disso, com esse tipo de avaliação torna-se possível também perceber quais as áreas mais fortes e mais fracas da criança, o que ajuda a estabelecer melhor de que forma aquela criança precisa de ser estimulada.

Na prática, a maior parte das crianças ditas “condicionais” acabam por ter um QI que lhes permite, do ponto de vista cognitivo, acompanhar as outras, pelo que não costuma ser este o aspeto que mais condiciona a decisão dos pais.

 Porque cada criança é um indivíduo único, dotado de um conjunto de características específicas e com um determinado ritmo, são os pais que, enquanto responsáveis, devem observar diariamente e decidir se ela já tem maturidade para integrar o primeiro ano de escola.

Assim, há que respeitar o ritmo da criança que temos em mãos. Se até à idade de ir para a escola os ensinarmos a brincar, se os estimularmos, se lhes lermos histórias, se fizermos atividades plásticas e atividades ao ar livre, eles desenvolverão muito mais a maturidade do que em qualquer ano extra na escola.

                                                                             CONCLUSÃO

 Mas a decisão de não colocar os nossos filhos na escola, e optar por "retê-los", numa espécie de chumbo no último ano do pré-escolar, nem sempre é fácil…

No entanto, é importante notar que as opiniões não são unânimes no que refere benefícios a curto e a longo prazo da aplicação desta medida.
"Reter" uma criança, oferecendo-lhe tempo para amadurecer, também pode ter impactos significativos a longo prazo. Especialmente no que refere ao desenvolvimento emocional e autoestima da mesma.

Cada criança é uma criança

Todas as opções que tomamos relativamente aos nossos filhos têm sempre prós e contras. Numa situação como o desenvolvimento físico ou intelecto, não podemos pautar duas crianças diferentes por padrões como a idade.

Cada criança é única. Os pais devem tomar a sua decisão relativamente ao facto do filho estar ou não pronto para ingressar o 1º ano, tendo em conta as características da criança. Enquanto que para uma criança pode ser benéfico "atrasar" um ano, para outras pode ser prejudicial, por isso, deve tomar esta decisão de acordo com o perfil do seu filho. Não existe uma regra. Há de facto competências que se estiverem mais desenvolvidas podem ajudar a realizar esta transição de forma tranquila. Mas também há crianças que chegando aos 6 anos (quase 7anos) ainda não têm estas mesmas competências desenvolvidas.

Idade cronológica e idade emocional

Também é importante lembrar que a idade cronológica nem sempre equivale a maturidade emocional ou mental, e que o tempo não é o único fator de desenvolvimento do seu filho. Na verdade, se há alguém que pode ajudar no desenvolvimento dos nossos filhos, somos nós, pais.

Se até à idade de ir para a escola os ensinarmos a brincar, se os estimularmos, se lhes lermos histórias, se fizermos atividades plásticas e atividades ao ar livre, eles desenvolverão muito mais a maturidade do que em qualquer ano extra na escola.

Sabemos que cada vez temos menos tempo para estar com os nossos filhos. Por isso temos de transformar este crescimento em momentos de qualidade realizando atividades divertidas, e que os ajude a crescer.  Partilhar do crescimento deles, e ter noção real das suas características e capacidades, é essencial para os ajudar na transição para o 1º ano.
Lembre-se, essa transição deverá ser um grande momento para os nossos filhos. Não um momento de stress e tensão para toda a família.

Assim, em jeito de conclusão, diria que a regra deveria ser que só entrariam para a Escola Primária as crianças com 6 anos já feitos. Pontualmente poderia abrir-se uma ou outra exceção, mas essa seria a decisão mais acertada para a esmagadora maioria. Não é preciso pressas, apenas respeitar o que a biologia nos diz e os estudos comprovam. Sei que haverá muita gente que discorda desta opção, mas acredito mesmo que é a mais acertada.

Todas as crianças devem ter oportunidade de usar as capacidades que têm e, para isso, precisam de maturidade e segurança. E, acredite, todas elas têm muitos anos para ser adultos, mas muito poucos para ser crianças. E atrevo-me até a dizer que é quase “criminoso” impedir que elas usufruam desses poucos anos que têm enquanto crianças…

 

 

terça-feira, 14 de junho de 2022

A importância do despiste e intervenção precoce nos problemas de Linguagem e Comunicação.

O conceito de consciência fonológica pode ser definido, genericamente, como a capacidade para conscientemente manipular (mover, combinar ou suprimir) os elementos sonoros das palavras orais (Tunmer e Rohn, 1991).

A dislexia, por exemplo, é uma forma específica de comprometimento da linguagem que afeta a forma pela qual o cérebro codifica as características fonológicas das palavras faladas. O défice central encontra-se no processamento fonológico e surge de representações fonológicas mal especificadas.

Caracteriza-se por alterações da descodificação das palavras, refletindo um processamento fonológico insuficiente e em desacordo com a idade e/ou capacidades cognitivas. Associa-se, com frequência, a dificuldades na motricidade fina, no ritmo, no processamento e apresentação da informação escrita: disgrafia, disortografia e, em alguns casos, discalculia.

Os jogos de palavras, os trocadilhos e os duplos sentidos são bons exemplos de outra capacidade que requer a manipulação consciente da língua fora do contexto comunicativo e é servida por processos cognitivos, nomeadamente a consciência e o controlo do conhecimento, sendo esta capacidade conhecida por consciência linguística (Sim-Sim, Martins, 2000).




As modalidades mais elementares da consciência fonológica abrangem a sensibilidade às sílabas, rimas, e segmentação e podem desenvolver-se, mais ou menos espontaneamente, ao longo dos anos pré-escolares (Liberman, 1974; Treiman, 1992). O sucesso nestas tarefas relaciona-se significativamente com o desempenho na leitura/escrita no primeiro ano escolar (Vellutino e Scanlon, 1987).

Um outro indicador importante para a aquisição da leitura é o conhecimento do som ou nome das letras. Alegria (1985) afirma que é importante ajudar as crianças a analisarem a linguagem para que entendam a relação que existe entre as letras e o que elas representam.

Em conclusão, o despiste e intervenção precoce são essenciais para prevenir as dificuldades de aprendizagem da Leitura/Escrita.

Contacte-nos: apoioaoestudoabc@gmail.com





segunda-feira, 13 de junho de 2022

Aprender a estudar


 

Aprender a estudar com eficácia implica saber pensar, refletir sobre a própria aprendizagem, sobre o modo como se aprende, e utilizar, em cada momento, os melhores métodos e as técnicas mais adequadas ao desempenho das tarefas escolares ou atividades propostas.

Se esta competência é essencial no dia-a-dia da escola, continuará a sê-lo na vida profissional, sobretudo nos dias de hoje, em que os empregos são cada vez menos estáveis e se torna necessário, frequentemente, adaptar-se a novos contextos, a novas tarefas, a novas atividades…

Os desafios de qualificação, atualização e adaptação a novas realidades profissionais a que temos de responder exigem, com efeito, que sejamos autónomos na aprendizagem para podermos, em qualquer momento, garantir a nossa formação e obter novos saberes e novas competências.

Pretendemos ajudar quem nos procura a conhecer e manipular as ferramentas de trabalho mais adequadas, a assumir as atitudes e os comportamentos mais favoráveis em cada ocasião e a desenvolver, conscientemente, as estratégias que permitam ter sucesso na aprendizagem, não só durante a escolaridade, mas também ao longo de toda a vida.

Hoje temos de ir mais além do saber ler, escrever e contar. É preciso saber retirar informação a partir do material escrito (textos, enunciados, orientações, etc.) raciocínio matemático, saber uma a duas línguas estrangeiras, dominar as tecnologias de informação e comunicação, ter competências para trabalhar em equipa e apropriar os saberes da cultura científica e humanista indispensáveis à compreensão da realidade em que vivemos, neste contexto global.

O que precisamos para aprender?

  • 1.       Conhecer como aprendemos – estilo de aprendizagem (visual, auditivo, …);
  • 2.       Motivação;
  • 3.       Concentração;
  • 4.       Memorização;
  • 5.       Gestão de tempo na organização do estudo;
  • 6.       Resolução de problemas;
  • 7.       Autoavaliação

Porquê ensinar a estudar?

                Se ensinarmos os nossos alunos a pensar e a estudar, estaremos a contribuir para facilitar o seu sucesso educativo e na vida. A evolução do conhecimento processa-se a um ritmo muito rápido. Os jovens necessitam de autonomia e saber procurar soluções para os diversos desafios que se lhes vão surgindo, hoje na escola e no seu dia-a-dia, amanhã na sua vida em sociedade e numa profissão.

                Estudar bem não é necessariamente estudar muito. Implica saber organizar o tempo de estudo (construção de horário), os materiais necessários, definir objetivos e prioridades, selecionar estratégias adequadas à sua realização assim como fazer a autoavaliação do trabalho realizado, para assim rentabilizar o tempo e o esforço e obter um maior sucesso educativo.

Contacte-nos: apoioaoestudoabc@gmail.com


domingo, 5 de junho de 2022

Porque é que é importante fazer um Despiste de distúrbios da fala e da linguagem na infância?

 Distúrbios da fala e da linguagem na infância.

A comunicação é um meio pelo qual o indivíduo recebe e expressa a linguagem, sendo um elemento essencial para a socialização e integração na comunidade. Portanto, os distúrbios da fala e da comunicação causam impacto direto sobre a vida social da criança e sobre o sucesso acadêmico, sendo reconhecidos como importantes questões de saúde pública.

No desenvolvimento inicial da comunicação, é importante observar o vocabulário; a extensão da frase (número de palavras utilizadas); a complexidade sintática das frases; a entonação; a articulação de cada um dos fonemas (sons) da língua; as trocas presentes na fala da criança; o uso da linguagem pelo discurso e pela iniciativa comunicativa; bem como a fluência de fala (número de ruturas ou difluências na fala e velocidade de fala). Deve estar ainda observar se a criança começa a desenvolver problemas emocionais, pois as dificuldades na aprendizagem andam de mãos dadas com os problemas emocionais.

Como perceber se existem?
São inúmeras as questões emocionais (frustração, medo, ansiedade, etc.) e comportamentais que se manifestam através da dificuldade na linguagem (por vezes deixam de falar na escola, isolam-se) e no desempenho escolar adquirindo forma visível no insucesso escolar.

As emoções estão na base de toda a aprendizagem. A criança aprende quando o seu interesse e motivação pela aprendizagem existe. A criança aprende a falar quando as pessoas que a rodeiam falam com ela, aprende a usar o lápis quando vê os adultos a usá-lo, aprende a ter interesse pela leitura quando lhe leem um livro, desenvolvendo as suas habilidades emocionais através da imitação e dos estímulos positivos.

Na sua grande maioria não são as limitações a nível cognitivo, mas sim a ausência de um bem-estar emocional que cria a indisponibilidade interior para aprender, a curiosidade de conhecer e o prazer de saber mais.

Temos de estar atentos a estas questões que vão influenciar a aquisição da leitura e da escrita e o seu sucesso escolar!